Implanon engorda? Entenda o que a ciência mostra sobre ganho de peso e fertilidade
O uso do Implanon é uma das opções mais eficazes de contracepção de longa duração, mas uma dúvida aparece com frequência no consultório e nas buscas online: “Implanon engorda?”. Antes de tomar qualquer decisão sobre o método contraceptivo, é importante entender o que os estudos mostram sobre ganho de peso com Implanon, quais são os efeitos colaterais mais comuns e como fica a fertilidade após a retirada do Implanon.
A seguir, você encontra respostas baseadas em um estudo clínico robusto, aliado à toda experiência da Dra. Fernanda Castilhos, para ajudar na sua escolha com segurança e informação de qualidade.
Implanon engorda?
De acordo com o estudo Implanon: Subdermal Single Rod Contraceptive Implant, publicado no Journal of Obstetrics and Gynaecology of India e que serve de base para este artigo, apenas 7,5% das mulheres apresentaram ganho de peso maior que 5 kg durante o uso do Implanon.
Isso significa que o Implanon não faz todas as mulheres engordarem, nem está automaticamente ligado a um ganho de peso importante. Em um número restrito de casos houve ganho de peso com Implanon, mas na grande maioria das pacientes o peso permaneceu estável ou com variações esperadas ao longo de alguns anos de uso.
Outro ponto essencial: mesmo entre as mulheres que tiveram ganho de peso com Implanon, nenhuma fez a retirada do Implanon exclusivamente por esse motivo. Ou seja, dentro deste estudo, o ganho de peso não se mostrou um efeito colateral relevante a ponto de levar à suspensão do método.
Para entender melhor essa relação, é importante conhecer como o método funciona no organismo.
Como o Implanon age no corpo
Antes de responder definitivamente se o Implanon engorda, vale olhar para o seu mecanismo de ação hormonal, que é o que, em teoria, poderia impactar o metabolismo.
Composição do Implanon
O Implanon é um implante subdérmico (colocado sob a pele) de um único bastão, com 4 cm de comprimento e 2 mm de diâmetro. O Implanon:
- contém 68 mg de etonogestrel (um progestagênio);
- é feito de um copolímero de etileno vinilacetato (EVA);
- não contém estrogênio, sendo um método exclusivamente à base de progestagênio.
Esse hormônio é liberado de forma contínua e em baixas doses, garantindo proteção contraceptiva por até 3 anos.
Mecanismo de ação hormonal
O Implanon age principalmente por:
- inibir a ovulação;
- aumentar a viscosidade do muco cervical, dificultando a passagem dos espermatozoides.
Do ponto de vista metabólico, o etonogestrel tem:
- meia-vida de aproximadamente 25 horas;
- alta biodisponibilidade (94–99%);
- excreção predominantemente pela urina (60%) e pelas fezes (40%);
- ausência de acúmulo significativo no organismo.
Isso ajuda a explicar por que, no estudo analisado, não se observou um padrão de ganho de peso generalizado com Implanon.
Qual é a porcentagem de mulheres que ganham mais de 5 kg usando Implanon?
No estudo citado, envolvendo 200 mulheres:
- ganho de peso maior que 5 kg foi observado em 7,5% das pacientes;
- nenhuma delas solicitou retirada do Implanon por causa do ganho de peso.
Isso significa que, em 92,5% das usuárias, não houve ganho de peso com Implanon superior a 5 kg dentro do período de acompanhamento.
Portanto, com base nesses dados, podemos dizer que:
- a maioria das mulheres não apresenta ganho de peso importante com o método;
- quando acontece, o ganho de peso com Implanon é um efeito menos frequente, e não o padrão.
Ganho de peso com Implanon: o que o estudo mostrou na prática
É fundamental lembrar que o estudo acompanhou essas mulheres por até 3 anos, período no qual vários fatores podem influenciar o peso corporal, como:
- alimentação;
- nível de atividade física;
- estresse;
- outras condições de saúde.
O fato de apenas 7,5% terem ganho mais de 5 kg sugere que o Implanon, isoladamente, não é um “vilão” universal do peso. A frase “Implanon engorda” não se sustenta como verdade absoluta, e sim como uma possibilidade para uma minoria, que deve ser avaliada caso a caso.
O ganho de peso é um dos principais motivos para retirada do Implanon?
Apesar da preocupação com ganho de peso com Implanon, o estudo mostra que esse não é um motivo relevante para retirada do dispositivo.
Entre as 74 remoções realizadas:
- 16 ocorreram após o término dos 3 anos de uso;
- 58 aconteceram antes do prazo, principalmente por alterações de sangramento ou desejo de gestar;
- 0 casos de retirada foram por ganho de peso.
Os principais motivos de descontinuação antes de completar os 3 anos foram:
- polimenorreia (sangramentos intensos e prolongados): 16%
- sangramento irregular vaginal: 10%
- amenorreia (ausência de menstruação): 4,5%
- motivos médicos diversos: 1,5%
- desejo de engravidar: 1%
Por que as mulheres realmente retiram o Implanon?
Quando avaliamos os efeitos colaterais do Implanon que de fato pesam na decisão de retirada, o destaque está nas alterações menstruais, não no peso.
Polimenorreia e sangramentos aumentados
A polimenorreia foi observada em 22,5% das pacientes, e 16% das mulheres do estudo acabaram optando pela retirada do Implanon por conta dessa queixa. Em algumas, o padrão de sangramento intenso persiste mesmo após tentativas de tratamento clínico, o que interfere na qualidade de vida.
Sangramento irregular e spotting
Sangramento irregular vaginal ocorreu em 27% das mulheres.
- Apenas 5% decidiram remover o Implanon por esse motivo, mostrando que muitas conseguem conviver ou controlar o quadro.
- Prolongado spotting (pequenos sangramentos persistentes) foi relatado por 23% das usuárias, mas apenas 1% removeu o implante por essa razão.
Amenorreia
A amenorreia ocorreu em 24% das pacientes.
- Para algumas mulheres, não menstruar ao usar Implanon é bem-vindo;
- Para outras, a ausência de menstruação causa desconforto ou insegurança, e 4,5% optaram por retirar o implante por essa queixa.
Em síntese: alterações de sangramento são os principais motivos de retirada do Implanon. O ganho de peso com Implanon, embora relatado em pequena parcela, não foi a causa determinante de descontinuação no estudo analisado.
O Implanon causa ganho de peso em todas as mulheres ou apenas em uma parte delas?
O Implanon não causa ganho de peso em todas as mulheres. Pelo contrário:
- apenas 7,5% apresentaram ganho >5 kg;
- a maioria não teve alteração de peso relevante ao longo dos 3 anos.
Isso reforça que a frase “Implanon engorda” não pode ser generalizada. O que os dados indicam é:
- o ganho de peso com Implanon pode acontecer, mas é um efeito colateral menos comum;
- cada organismo reage de forma única ao método contraceptivo Implanon;
- avaliar histórico de peso, estilo de vida e outras questões hormonais é essencial antes de atribuir mudanças de peso exclusivamente ao implante.
Por isso, antes de iniciar ou retirar o Implanon por medo de engordar, é importante conversar com sua ginecologista para avaliar o quadro completo, entender os reais efeitos colaterais do Implanon e ponderar riscos e benefícios para o seu caso.
Além do possível ganho de peso, quais são os efeitos colaterais mais comuns do Implanon?
No estudo analisado, o perfil de efeitos colaterais do Implanon foi dominado por alterações menstruais. Entre as 200 mulheres acompanhadas, os principais efeitos foram:
- irregularidade de sangramento vaginal: 27%
- spotting prolongado: 23%
- amenorreia: 24%
- polimenorragia: 22,5%
- ganho de peso > 5 kg: 7,5% (sem retirada por esse motivo)
O próprio fabricante e outros estudos citados também descrevem como possíveis efeitos colaterais do Implanon:
- acne;
- cefaleia (dor de cabeça);
- dor mamária (mastalgia);
- alterações de humor;
- dor pélvica;
- diminuição da libido.
No entanto, esses sintomas não foram observados de forma relevante no estudo específico que utilizamos como base.
Alterações menstruais com Implanon: o que esperar
As alterações de sangramento são tão frequentes que, na prática clínica, fazem parte da conversa obrigatória antes de colocar o Implanon.
Polimenorreia (menstruação mais intensa e prolongada)
A polimenorreia foi registrada em 22,5% das mulheres. Em 16% dos casos totais, ela foi a razão principal para retirada precoce do Implanon. Esse padrão inclui:
- fluxo aumentado;
- menstruações mais longas;
- impacto em ferro/energia em alguns casos.
Sangramento irregular e spotting
O sangramento irregular e o spotting (pequenos sangramentos de escape ao longo do ciclo) apareceram em cerca de 27% e 23% das pacientes, respectivamente.
Mesmo sendo queixas incômodas, nem sempre levam à retirada do Implanon, principalmente quando a mulher está bem orientada e entende que essas alterações são esperadas e, em muitos casos, transitórias.
Amenorreia (ausência de menstruação)
A amenorreia é uma resposta comum ao Implanon (24% das mulheres no estudo).
- Para algumas, é um benefício;
- Para outras, gera insegurança por associar ausência de menstruação a possível gravidez.
Importante: a amenorreia induzida pelo Implanon não significa perda de fertilidade futura. É um efeito hormonal reversível, e a ovulação tende a retornar após a retirada do dispositivo.
O Implanon é um método contraceptivo seguro e eficaz mesmo com esses efeitos colaterais?
Sim. Apesar dos efeitos colaterais do Implanon, especialmente relacionados ao padrão de sangramento, os dados mostram alta eficácia e boa segurança do método contraceptivo Implanon.
No estudo:
- não houve nenhuma gestação durante o uso do Implanon (falha zero);
- 92% das mulheres continuavam usando o método após 6 meses;
- 81,5% ainda estavam com o implante após 12 meses;
- 71% permaneceram com o Implanon até 24 meses;
- não foram registradas complicações importantes em inserção ou retirada.
Eventos raros descritos na literatura, mas não observados neste estudo, incluem:
- lesão de nervos durante inserção/remoção;
- expulsão do implante;
- falhas isoladas com gravidez (inclusive ectópica).
Na prática, o Implanon é considerado um dos métodos mais eficazes (eficácia superior à de pílulas e de DIUs de cobre, por depender menos da usuária) e, ao mesmo tempo, reversível, com retorno rápido da fertilidade após a retirada do Implanon.
O uso do Implanon atrapalha a fertilidade futura ou a chance de engravidar após a retirada?
Essa é uma das preocupações centrais de quem pensa em usar um método de longa duração: “Será que o Implanon vai atrapalhar minha fertilidade depois?”.
Os dados do estudo são bastante tranquilizadores:
- o Implanon foi utilizado como método de espaçamento entre gestações;
- após a retirada, as mulheres que não optaram por outro método contraceptivo foram acompanhadas quanto ao retorno da ovulação e às taxas de gravidez.
Conclusão: o Implanon não prejudica a fertilidade futura. Pelo contrário, o retorno da capacidade de engravidar após a retirada do Implanon é, na maioria dos casos, rápido.
Retorno da ovulação após o Implanon
Entre as mulheres que removeram o implante e não usaram outro método hormonal:
- 40% apresentaram retorno da ovulação em até 1 mês, medido por dosagem de progesterona.
Isso mostra que o organismo retoma a função ovariana com agilidade após o fim da exposição ao etonogestrel. Isso é especialmente importante para quem está planejando uma gestação em curto prazo após a retirada do Implanon.
Retorno da fertilidade: em quanto tempo ocorre a gravidez?
Das mulheres que retiraram o Implanon e não usaram nenhum outro contraceptivo:
- 29,16% engravidaram em até 3 meses;
- 62,5% estavam grávidas em até 6 meses;
- 66,66% engravidaram em até 9 meses;
- 95,8% engravidaram em até 12 meses.
Apenas uma paciente não engravidou dentro de 1 ano, e ela tinha diagnóstico de hipotireoidismo, uma condição que, por si só, pode afetar a fertilidade.
Esses números mostram que, na imensa maioria dos casos, a fertilidade após Implanon retorna de forma satisfatória em até 12 meses, muitas vezes bem antes disso.
Depois de retirar o Implanon, em quanto tempo o organismo costuma voltar ao normal?
Após a retirada do Implanon, o organismo tende a voltar ao padrão hormonal próprio da mulher de maneira rápida. No estudo:
- dentro de 1 mês, 40% já tinham ovulação documentada em exames;
- em até 12 meses, 95,8% das mulheres que desejavam engravidar conseguiram.
Do ponto de vista clínico, isso reforça que:
- o Implanon não “acaba” com a fertilidade;
- os efeitos hormonais são reversíveis;
- tanto a ovulação quanto o ciclo menstrual tendem a se reequilibrar após a remoção.
Se você está avaliando retirar o Implanon para engravidar, esse é um método que permite um planejamento relativamente rápido, uma vez que o retorno da ovulação pode ocorrer já nas primeiras semanas após a remoção.
Agende sua consulta com a Dra. Fernanda Castilhos!
Uma avaliação individualizada com a Dra. Fernanda Castilhos permite alinhar expectativas, tirar dúvidas e escolher o melhor método contraceptivo para o seu momento de vida, com informação baseada em evidências e em uma escuta acolhedora.